Aproveitei a 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo para ver alguns filmes dos nossos hermanos. Infelizmente não tive muito tempo para ver todos que eu queria, mas um eu gostaria de recomendar se entrar em cartaz no Brasil.
Depois de fazer vários trabalhos para televisão, Matias Lira dirige sua primeira película. Drama conta a historia de 3 jovens estudantes de teatro que são desafiados a interpretar de acordo com as teorias do dramaturgo Antonin Artaud, fugindo do superficial e da reprodução sem buscar um aprofundamento maior. Assim, os 3 buscam vivenciar na vida real os papéis que irão interpretar no teatro.
Olhando com mais cuidado para Drama, percebe-se que este filme chileno é bem mais profundo do que parece ser. Depois de ler algumas características do Teatro da Crueldade, de Artaud, o filme fez muito mais sentido para mim, inclusive as partes mais surrealistas. Os 3 protagonistas também realizam algumas cenas em que estão bem à vontade entre si. Me lembrou um pouco o filme Os Sonhadores, do Bertolucci. Além disso, o filme não deixa de citar a ditadura chilena no meio deste contexto teatral. Inclusive, no debate pós filme da Mostra de Cinema, Matias Lira comentou que apesar da história ditatorial do Chile, o país ainda continua com algumas censuras. No cartaz de seu filme teve que ser inserida uma tarja preta, pois consideraram a foto imprópria, além da igreja católica do país não ter recomendado o filme para o público. O blog do filme conta mais sobre tais censuras, processos criativos, além da dificuldade do diretor em levar o filme para as salas de cinema no Chile.


Os dois cartazes de Drama, com e sem sensura.
Besitos!
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